terça-feira, 16/07/2019

Fusca, Mini e Fiat 500: as histórias de três ícones da estrada

Há automóveis que se unem de tal forma no imaginário popular que, mesmo depois de se ter acabado com eles, eis que voltam – ressuscitando das cinzas. Não é por acaso, e também não será por bondade nem saudosismo, que as marcas pegam no lado icônico de determinado modelo e o reanimam, reformulando-o à medida dos novos tempos. Foi o que aconteceu nos três casos para os quais olhamos, todos eles marcantes no seu tempo, de tal modo que ninguém estranhou quando alguém se lembrou de os apresentar como se tivessem ido ao futuro e voltado.

O Fusca e o New Beetle

Se há ícone das estradas europeias, e não só (a América Latina, por exemplo, tem grande apreço pelo velho “carocha” – só no Brasil, foram vendidos cerca de 3 milhões e meio de automóveis deste modelo) é o Volkswagen Type 1, pois foi este o “carro do povo” (tradução literal de “volks” “wagen”), o primeiro modelo da marca. Devido ao seu formato, ficou conhecido na Alemanha como Käfer, que significa, em inglês, beetle, cujo significado é, finalmente e em português, escaravelho. Mas nós não íamos chamar escaravelho, esse nome tão pesadão e desarmonioso, a um carro tão bonito, como é evidente, pelo que preferimos chamar de Fusca, que é mais fofinho, praticamente infantil.

Concebido no início da década de 30, a partir de uma ideia antiga de Ferdinand Porsche (sim, esse Porsche) e de Adolf Hitler de construir um modelo automóvel acessível a qualquer pessoa, o Beetle só começou a ser comercializado para a população civil no fim da década de 40, por causa da II Guerra Mundial, período em que o “Fusca” foi usado para fins militares e entre as elites nazista. O grande conflito provocou efeitos semelhantes em várias marcas alemãs.

O Beetle original foi descontinuado em 2003, cinco anos depois que a Volkswagen ter lançado no mercado o New Beetle, adequadamente designado, enquanto projeto de design, “Concept 1”, uma vez que consistiu na reformulação do Type 1. Em 2010, o New Beetle foi novamente atualizado e renomeado, passando a chamar-se oficialmente Beetle pela primeira vez na sua história.

Um Mini poderoso

Em 1999, numa votação para eleger o carro mais influente do século XX, o Mini ficou em segundo, perdendo apenas para o inevitável Model T, da Ford, o automóvel que revolucionou a indústria em 1908. Lançado em 1959 pela BMC – British Motor Corporation, o Mini rapidamente se tornou um símbolo de uma época de crescimento acelerado, em que o tamanho passou a importar em cidades com cada vez menos espaço — quanto mais pequenino, melhor. E foi assim que o Mini furou o mercado, graças à sua extraordinária capacidade para ser estacionado em espaços apertadinhos, e se manteve sempre ativo, até 2000, o ano em que a produção cessou por decisão da Rover, sua última fabricante, mas não sem antes ter deixado vários modelos que conquistaram lugar próprio, como o Mini Van, o Mini Moke, o Clubman e, obviamente, os Mini Cooper e Cooper S.

Em 2001, a BMW apostava no lançamento do Mini reformulado e estabelecia a marca MINI. A primeira geração durou até 2006, quando foi substituída pela Mk II. A vantagem que o novo MINI perdeu em relação ao modelo original — o espaço que ocupa, que é muito maior na versão literalmente revista e aumentada —, ganhou no design, no conforto e na potência. O MINI contemporâneo é um carro para ser levado muito a sério.

De minúsculo a monovolume

Cinquecento, é assim que ele se chama, porque é italiano, nascido em Turim, mas por cá nós o chamamos de “quinhentos”, Fiat 500. A história deste automóvel distingue-se das histórias anteriores num aspecto: o “novo” Fiat 500 foi lançado em 2007, por ocasião do 50º aniversário do Novo Fiat 500, que chegou ao mercado em julho de 1957, apresentado como Nuova 500, o sucessor do ancestral 500 Topolino. Nos concentremos, porém, na versão lançada em 1957. De novo, é o tamanho — muito reduzido, no caso — que faz diferença: 2,97 metros de uma ponta a outra (o “Fusca”, por exemplo, mede mais de 4 metros de comprimento, e mesmo o Fiat 600, também minúsculo, lançado dois anos antes, media mais 25 centímetros). E era neste espaço exíguo que cabiam duas pessoas, um motor de dois cilindros com 479 centímetros cúbicos, capaz de debitar uns impressionantes 13 cavalos, e, com jeito e cuidado, uma lancheira ou, vá, uma mochila de pequenas dimensões.

A história do Fiat 500 é recheada, mas não propriamente longa. A Fiat decidiu acabar com os 500 e mudar a linha para os 126, um veículo que pode merecer o nosso carinho e as nossas recordações, mas muito mais comedidamente — aquelas linhas retas “anos 70” num automóvel 8 centímetros mais comprido que o 500 fica um pouco estranho (e, apesar disso, revelou ser um sucesso de vendas).

Em 2007, a Fiat decidiu criar um automóvel a partir do design do defunto 500 Nuova e foi assim que nasceu o novo Fiat 500. As linhas estão lá, os traços são inconfundíveis, mas as características são substancialmente diferentes, começando pelo tamanho. As linhas Pop, Lounge e S medem mais de 3 metros e meio. Já toda a linha L, ou seja, os monovolumes, podem chegar aos 4,3 metros e levar sete pessoas, o que é, sem dúvida, uma deformação do espírito original do Cinquecento.

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