terça-feira, 26/02/2019

Conheça Marius Sperlich: o fotógrafo alemão que conquistou Madonna e Katy Perry

Ele fez fama no Instagram exatamente quanto teve seu perfil bloqueado pela plataforma. Sua crítica afiada ao comportamento da sociedade por meio de nus provocativos em forma de imagem atraiu olhares de celebridades de peso como Madonna e Katy Perry, que repostaram os trabalhos do artista em seus perfis pessoais. Estamos falando do fotógrafo alemão Marius Sperlich, que está em cartaz até 15 de março com sua primeira mostra solo no Brasil, Naked Truth, na GWS gallery, em São Paulo.

O fotógrafo ganhou relevância dentro e fora da internet exatamente por ironizar os conflitos de uma sociedade obcecada pelas redes sociais e por subverter situações cotidianas com uma sensibilidade ímpar. Especializado em close-ups e conhecido por inserir intervenções de lego no corpo humano para criar seu próprio universo imagético, como criar uma “piscina” dentro da boca, ele encontrou na macrofotografia (fotos a curta distância) seu lugar. Cada foto pode demorar até 6 horas para ser concluída, tamanha é a preciosidade do trabalho.

Responsável pela primeira capa artística da Playboy americana – que continha no recheio vozes que ecoam liberdade de expressão, como Roxane Gay, Ezra Miller, Maya Angelou – o alemão acabou de participar da Art Basel de Miami e está no melhor momento de sua carreira. Conheça mais sobre sua trajetória abaixo:

Você teve contato com a fotografia em Berlim, certo? Pode comentar um pouco sobre esse período?

É engraçado isso. Estudei comunicação e design e me disseram que eu seria um bom designer, mas jamais um fotógrafo. Saí da minha cidade e me mudei para Berlim, mas cheguei lá querendo ser diretor. Tive uma fase hippie, não conhecia muita gente e comecei a fotografar o making off de filmes para poder pagar o meu aluguel. Foi aí que tudo mudou.

E o que te fez tirar fotos mais aproximadas de macrofotografia, técnica que hoje você é especialista?

A necessidade de criar algo novo com um orçamento bastante linitado. Como não tinha dinheiro para alugar um estúdio grande ou locações incríveis, decidi criar meu próprio universo (com peças de Lego, por exemplo) dentro de um cenário reduzido: o corpo humano e suas particularidades.

Como foi esse processo?

Não queria ser mais um fotógrafo especializado em “closes”. Eu não queria nada normalizado, procuro esse lugar incômodo e esquisito nas minhas fotos. Tento sempre me reinventar nesse sentido. Mas tive dificuldades, principalmente no começo, para conseguir modelos.

E o que te motiva a continuar se reinventando?

Conhecer pessoas e suas histórias é o que me move a continuar nesse trabalho. Costumo tirar uma diária inteira só para criar um retrato, conhecer melhor cada pessoa antes de fotografá-la. Quero constantemente criar algo que nunca foi visto antes.

Você sempre trabalha com a mesma maquiadora, né? Como é a dinâmica de trabalho de vocês?

Sim, tenho modelos homens e mulheres, mas sempre trabalho com a minha amiga e ótima maquiadora Joanna Bacas, além de uma equipe inteira feminina no set para deixar as pessoas o mais confortáveis possível. Eu fotógrafo nus, mas tenho um ritual: normalmente tenho um sketch do que estou pensando para a foto e quem faz toda a preparação do acting é a Joanna, eu saio do set nesse momento e volto para fazer o clique. Essa é uma questão crucial no meu trabalho. Eu não quero sexualizar nem objetificar o corpo, quero “dessexualizar” o corpo. É um trabalho de intimidade anônima.

Uma de suas imagens mais famosas é de uma vagina que parece uma praia. Como surgiu essa ideia?

Muita gente achou engraçada essa foto e ela causou muito impacto, principalmente no Instagram, que não é uma mídia feita para isso, mas, na verdade, ela veio como uma miniatura de praia que eu conheço desde pequeno. Todas as minhas fotos possuem uma história por trás, sabe? 

Como assim?

Estamos numa sociedade em que as pessoas estão disputando por atenção e likes, então quis fazer um trabalho provocativo para o Instagram. Quis brincar com o imaginário. Uma de minhas fotos mais famosas é de um peito coberto com tinta, então essa exposição do corpo não é explícita. Tomo muito cuidado com isso. O problema não está no Instagram, está na nossa sociedade que assedia mulheres diariamente nas ruas com cantadas, sabe? A ideia da minha arte é exatamente de provocar esses questionamentos. É um aprendizado e desconstrução diários.

É quais são suas expectativas para a mostra no Brasil?

É minha primeira vez no Brasil e estou amando a experiência. Todo mundo aqui foi tão gentil comigo e estou aprendendo tudo o que posso sobre a cultura de São Paulo. É tudo bem estimulante. Costumo não criar grandes expectativas, mas estou contente com o jeito que as pessoas reagiram ao meu trabalho aqui.

No Comments Yet

Leave a Reply

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

%d blogueiros gostam disto: